30 de novembro de 2004

TEMPUS
fugit.
Bem o tento repreender. Mas ele insiste com a estreiteza das 24 horas. Bem me posso cansar a lembrar a necessidade de escrever no blogue...
Nada: o seráfico permanece irredutivelmente apressado.

24 de novembro de 2004

VENDE-SE
Gripe em bom estado. Quase nova. Alto desempenho (1 pacote de lenços-hora) e com espírito de permanência.
Motivo: falta de tempo do proprietário para a entreter.

22 de novembro de 2004

diário

cansado. durante dez horas, assistir ao transformar do actor. o olhar de câmara e as convulsões internas do personagem. as subtilezas que se afinam. ser o chato, o que pede mais um take, enquanto a pessoa frente ao pano azul ignora as luzes, os microfones e o olho de vidro, e se imagina outro. cada palavra é espremida até que os seus vários sentidos escorram pela sala, nessas horas maior do que ela própria. transformada.
da universidade de turim chega-me a notícia que o "segura-te..." foi traduzido para a antiga língua, por vários estudantes. se fico contente? fico. pela partilha. só por ela. como quem faz - de alguma forma - novos amigos. vem-me à cabeça a figura das criaturas que andam pela net a alardear que descobriram erros e fragilidades no trabalho dos outros. ideia contrária à das traduções. vive mdo apoucar por razões claras e tristes. há crueldade divina no deixar que o fel cresça no coração de alguns. poderia existir lá um prado, se deixassem. mas o medo de si, o desprezo com que chamam em surdina o próprio nome, é mais forte.
de londres, e-mail de um antigo aluno, e amigo, por consequência. fala-me do país com o olhar de quem acaba de chegar e não se lembra bem onde deixou o guarda-chuva. fico contente de o saber em busca de mais conhecimento. um destes dias há-de escrever coisa maior. e não serei só eu a desejar-lhe uma aprendizagem frutuosa.
amanhã, oito horas de aulas. no meio, reuniões e trabalho extra. preparar tudo, antes de deitar.
cansado. e apesar disso vou gostar de acordar.

20 de novembro de 2004

SAMPAIO NÃO TEM CORAÇÃO

O ex-presidente de todos os portugueses negou à família Santana o seu gabinete de propaganda. "Que só ia dar 30 tachos", ainda argumentou o governo, "no estrangeiro chegam a ser 200 pessoas a trabalhar nisto". Mas não adiantou de nada.
Na região compreendida entre as primeiras vivendas do Estoril e as últimas da zona do Guincho houve hoje 30 vozes que gritaram para a cozinha: "Ó Mariiiaaa... Afinal já não vai ser lagôôoosta pró jantaree... Descongele lá a sopa do capitão Iglo ó lá o que é... ca fartura ficou adiada por mais uns diaasss... Caturreira!".
ANÚNCIO

A minha amiga Pascale quer abrir um local em Lisboa onde se possa beber um copo de bom vinho, ou um kir, e comer algumas das deliciosas entradas francesas que ela prepara, enquanto se fala do que der na bolha desse dia.
É um sonho-projecto à procura de parceiros.
Os interessados que deixem um papelito na nossa e-morada.
ANÚNCIOS
Vou começar a anunciar. Assim. Como se isto fosse uma venda simpática e os vizinhos deixassem papelinhos para que outros pudessem ver. Não se esqueçam que os meus vizinhos são vocês, os unidos pela língua e espalhados pelo mundo.
Segue já o primeiro :)
2 FRASES (que afinal eram mais)
No canal Memória, Agostinho da Silva ressuscita para nos lembrar que as verdades mais simples são as mais absolutas. E, consequentemente, as que nos parecem mais difíceis de alcançar. Sobre o sentido de humor disse apenas: "os portugueses tocam o pessimismo como quem toca guitarra".

O rei dos pessimistas, Vasco Pulido Valente, tem, por outro lado, uma frase optimista sobre o futuro desta coisa a que se consentiu chamar "Coligação" e de como o país se deverá livrar serenamente dela: ""A coligação precisa de ferver até ao fim no molho da sua própria miséria. Não vale a pena que ela acabe, se não for arrasada e, com ela, o bando que a imaginou e a seguiu".
INDEX

O Mário C. enviou-me este link. Afinal, como ele diz, "havia outros"...
Pelo menos, quando o "Tarzan" for proibido já saberemos onde é que as nossas luminárias foram buscar a ideia...

19 de novembro de 2004

ORELHAS MOUCAS

O ex-director de informação da RTP, José R. dos Santos lançou um novo livro. "A filha do capitão" (cito o título de memória...). Estou ansioso. Por saber o que reza a história. E mais ainda, QUANTO TEMPO levou a escrevê-la... Lembro que o seu último "romance" foi feito, segundo o autor, em 15 dias.
Trabalhar na RTP dá mesmo genica!
FREE SMOKE

Se dúvidas houvesse sobre o facto da nicotina provocar dependência bastaria ler a irritada crónica de Miguel S. Tavares, no "Público" de hoje, a propósito na lei que regula o consumo de tabaco em determinados locais públicos...
Numa coisa ele está certo a fiscalização da medida será longamente boicotada pelos milhares e milhares de viciados que deveriam zelar pela sua implementação.
Até que a coisa estabilize e ouçamos muitos dos que clamarão nos próximos tempos "Injustiça!" jurar que sempre foram contra o fumar em recintos fechados.
Haja paciência...!

18 de novembro de 2004

0, 6 %

é o orçamento para a Cultura, em 2005.
Vale a pena dizer mais alguma coisa?

17 de novembro de 2004

A LESTE NADA DE NOVO

Os comunistas que eu conheço são todos pessoas generosas. Acreditam na transformação do mundo em prol dos mais desfavorecidos, abominam a injustiça e não têm medo de meter as mãos ao trabalho.
Ora, pergunto eu: como é que pessoas inteligentes e sensíveis se podem rever no PCP? O PCP que alimenta e se alimenta da CGTP e de um corpo cada vez mais envelhecido e diminuto de militantes? Num um partido cego que se prepara para eleger uma figura anacrónica, tirada a ferros surpresos dos ESTEIROS?
Num momento em que o pior da Direita portuguesa se esfalfa para nos entregar a todos aos bichos, a esquerda dá tiros no pé ao som de música mais do que ultrapassadas...
Não vejo ninguém a propôr uma resistência consistente a esta onda de cretinismo santano-portista em que mergulhamos. De um lado, elegem-se "antifascistas", do outro, para as bandas do largo do Rato vejo sair (literalmente) o que em linguagem novecentista seriam "homens distintos" de sobretudo elegante e que entram em BMWs de cilindrada alta...
Não me surpreende nada que cada vez mais me cheguem e-mails distantes dos nossos melhores. Daqueles que tomaram consciência que Portugal só se pode construir fora das suas fronteiras.

16 de novembro de 2004

DA LAMÚRIA DO CINEMA

Pertenço à turma do Hitchcock no que se refere à verdadeira necessidade para fazer um bom filme. Segundo ele, são necessárias 3 coisas: "Argumento, argumento, argumento".
Contudo, para os que não concebem um filme sem o primado da imagem perfeita e ao mesmo tempo não conseguem seduzir os júris do ICAM, remeto para o texto que se segue. Uma das 4 mulheres admitidas na American Society of Cinematographers (só isto já daria assunto de conversa, mas adiante...) ganhou em Sundance, este ano, o prémio de melhor fotografia. Com um caríssimo aparato de 35mm? Não. Com uma câmara miniDV. Armadilhada, é certo. Mas ainda assim...
Ler para avançar:

"Veteran director of photography Nancy Schreiber A.S.C. was recently honored with the Excellence in Cinematography Award at the 2004 Sundance Film Festival for her ?exceptional photography? on the drama November starring Courteney Cox, James Le Gros and Anne Archer, and directed by Greg Harrison. ?November,? produced by IFC Productions? digital initiative InDigEnt and Map Point Pictures, was shot with Panasonic AG-DVX100 Mini-DV 3-CCD camcorders.
For Schreiber (only the fourth woman voted into membership into the American Society of Cinematographers), this is her second Cinematography Award from Sundance, having shared the 1997 prize for My America?or Honk If You Love Buddha. Among her many other accolades are a Kodak Vision Award, an Emmy nomination (HBO?s ?Celluloid Closet?), and an IFP Spirit Award nomination for her striking work on Chain of Desire, starring Linda Fiorentino and Malcolm McDowell. Other projects include ?Your Friends and Neighbors, directed by Neil LaBute, starring Ben Stiller, Amy Brenneman and Jason Patric; and Loverboy, directed by Kevin Bacon, starring Kyra Sedgwick, Sandra Bullock, and Matt Dillon. She has shot more than 100 music videos for such recording artists as Aretha Franklin, Billy Joel, Sting, Van Morrison and Reba McIntire. In 2000, Schreiber was named one of Varietys ten top DPs to watch.
From a script by first-time screenwriter Benjamin Brand, November, which had its premiere at Sundance, stars Cox as Sophie Jacobs, a photographer who is stricken with feelings of guilt and sadness when her boyfriend is murdered during a robbery. Haunted by a belief that she could have somehow prevented the death, Sophie soon begins to see things that should not be there, and is forced to question the reality around her. The New York Times took note of Schreiber's inventive digital camerawork on this noirish puzzle drama.
Familiar with her work, filmmaker Harrison approached Schreiber and invited her to DP November. Impressed by the script and Harrison's commitment to make the movie a visually rigorous and artistic statement, Schreiber was engaged, but concerned about the technical limitations of DV shooting, which clearly would be dictated by the production budget. I am primarily a film DP, and was concerned about resolution, or sharpness, when shooting November on small, mini DV cameras, then taking the product out to film, she recalled, but I was very interested in the AG-DVX100's 24p capabilities and its Leica lens. At that point, I'd only heard about the camcorder, but we tested it, and were impressed with its color handling, and my ability to control contrast and work in a totally manual mode. I particularly liked the ability to shoot at 1/24th sec shutter speed, which meant I could shoot inside or outside at night, with much less light. The camera also handled the highlights well, with a beautiful burn-out, and fewer artifacts than other similarly priced cameras.
The breakthrough AG-DVX100 is a unique Mini-DV 3-CCD camcorder with exclusive CineSwitch? technology that supports 480i/60 (NTSC), cinema-style 480p/24fps and 480p/30fps image capture. Panasonic is now delivering an upgraded version of the AG-DVX100, the AG-DVX100A, with more than 20 new features.
"November" was shot in and around Los Angeles over the course of 15 days last May. The production used two AG-DVX100s, with an occasional third camcorder utilized for pick-up shots.
10_November2.jpg

recebido via net

"Um velho árabe muçulmano iraquiano, a viver há mais de 40 anos nosEUA,quer plantar batatas no seu jardim, mas cavar a terra já é um trabalho demasiado pesado para ele. O seu filho único, Ahmed, está a estudar emFrança, e o velhote envia-lhe a seguinte mensagem:"Querido Ahmed:Sinto-me mal porque este ano não vou poder plantar batatas no jardim. Jáestou demasiado velho para cavar a terra. Se tu estivesses aqui, todos estes problemas desapareceriam. Sei que tu remexerias e prepararias toda aterra.Beijos, Papá"
Poucos dias depois, recebe a seguinte mensagem:"Querido pai:Se fazes favor, não toques na terra desse jardim. Escondi aí umas coisas.Beijos, Ahmed"
Na madrugada seguinte, aparecem no local a polícia, agentes do FBI, daCIA, os S.W.A.T., os Rangers, os Marines, Steven Seagal, SilvesterStallone e alguns mais da elite estadunidense, bem como representantes doPentágono, da Secretaria de Estado, do Mayor, etc. Removem toda a terra do jardim procurando bombas, ou material para as construir, antrax, etc.. Não encontram nada e vão-se embora, não sem antes interrogarem o velhote, que não fazia a mínima ideia do que eles buscavam.
Nesse mesmo dia, o velhote recebe outra mensagem:"Querido pai:Certamente a terra já está pronta para plantar as batatas. Foi o melhorque pude fazer, dadas as circunstâncias.Beijos, Ahmed"
DEMOCRACIA

Enquanto descíamos a Avenida da República, um amigo afirmava-me, para meu espanto, que acredita na existência da Democracia. No estado harmonioso, em que as forças sociais têm um peso equivalente, os tribunais aplicam imparcialmente as leis, as grandes empresas não interferem nos discursos dos políticos nem nas decisões editoriais dos jornais, em que a maioria das pessoas está disposta a aceitar a convivência pacífica com os que vivem de acordo com ideias diferentes das suas... Confesso que fiquei siderado, por me parecer evidente que o Estado em que vivemos se comporta como um corpo dominado pelas bactérias que o habitam: um dia podem estar a ganhar as que vêm nos anúncios dos iogurtes, mas enquanto isso, as patogénicas mordem o que apanham, provocam gases e arrotos, sonhando que o paraíso acontecerá no dia em que o corpo cair no chão. E elas se espalhem, se espalhem...
No fundo, tudo isto não passa de uma convulsão intestinal.
SOZINHO EM CASA

Na Sic Notícias discute-se a ideia dos conservadores britânicos em financiar as mães que queiram ficar em casa a tomar conta dos filhos. Calculo que a notícia esteja a ser tratada porque o cds queira apresentar a proposta e comece a semear o terreno, via media. Contudo, parece-me haver alguma bondade na ideia. Lembro-me sempre da frustração que foi colocar um certo rebento num infantário quando nos apetecia ficar a tratar dele. Mas como o fazer se os donos dos empregos não estavam preparados para fornecer a nenhum de nós um horário flexível que permitisse a alternância? Parece-me excessivo o princípio da subvenção total do que foi a decisão de um casal. Nenhum de nós deverá ser obrigado a sustentar a numerosa prole do D.Duarte. Mas, se ele quiser ser ajudado financeiramente para que reine apenas das 14 h às 20h sem passar fome, estou disponível para aceitar a concessão de um apoio.
Sim, alguma coisa deve ser feita para acabar com o crescimento solitário e desamparado nos novos portugueses. E sim, algum desconforto financeiro deverá prevalecer (se for caso disso) quando se decide suspender o trabalho em prol da família. São escolhas.

14 de novembro de 2004

RYAN

Nem sempre os prémios do Cinanima recolhem a concordância geral. Não é o caso deste ano. O grande prémio foi para "Ryan", de Chris Landreth. Uma maravilhosa homenagem (misturando um virtuosismo técnico a um argumento bem calibrado) ao animador Ryan Larkin (que vive nas ruas de Montreal). Mais detalhes aqui.

ryan.jpg

13 de novembro de 2004

ANIMAÇÃO (de Espinho)
Este ano está sol. E o mar continua cá, logo depois da linha férrea.
Sobre os filmes é sempre complicado falar. Apetece sempre pôr a coisa em termos de Melhor e Pior.
Sem isso, registo que gostei bastante de"Peixes", de Mirek Nisenbaum, ou como o Titanic permite sempre novas versões. "1916", de Fabien Bedouel (já visto no Indie) reconfirmou os seus méritos.E ainda "Le portefeuille" de Vincent Bierreweaerts ou como um homem se pode desdobrar sem deixar de ser ele (citando o poeta favorito dos brasileiros, portanto...). As deliciosas entrevistas de Nick Park "Creatures Confort" deixaram o público morno, sem perderem a sua genialidade. Ou serei eu que adoro ver bichos a falarem como homens...

10 de novembro de 2004

está frio. não sei se isto já é inverno, nunca soube quando é que poderíamos deixar de ficar tristes com o strip das folhas e começar a bater dente... não sei essas coisas; falta-me o gosto para verificar as autorizações. mas de onde escrevo é inverno, mesmo se não foi um dia desprovido de lareira, ou pequenos fogos que foram ardendo junto às horas e às coisas com que as preenchi. é inverno porque o meu gato diz que sim e se esconde por baixo de tudo o que se assemelhe a um cobertor. e os bichos sabem sempre melhor do que nós o nome das estações e as coisas que contam na vida: o corpo abrigado, o sexo quando faz falta e o roçar diário - várias vezes ao dia, até - pelas pernas de quem se gosta. está frio. encolheram-se-me as maiúsculas.
summer.jpg

9 de novembro de 2004

TV E POLÍTICA

Na TVE internacional o ministro da justiça espanhol debate com pessoas de diferentes quadrantes algumas das medidas mais polémicas a que se propôem. Da iluminação perfeita, ao som cristalino da televisão pública, passando pela maneira educada, moderna e viva como o debate foi conduzido e mantido por todos, recebo em cheio na cara a qualidade dos debates políticos que nos servem. E dos que se intitulam como nossos políticos.
Era como se estivesse a ver comer um jantar refinado de cinco pratos, enquanto no meu país me servem batatas frias com bife duro da véspera...
DOURAR A PILÚLA

O delegado de propaganda médica que acusou a mãe da Aspirina de andar a assediar médicos com luvas não-cirúrgicas estará maluquinho. Segundo a informação que o Correio da Manhã comprou a um funcionário do Tribunal, o homem andaria a telefonar a si próprio e ao advogado mega-esquerdino (esta última parte parece-me a mais assustadora, já que não consigo imaginar ninguém com vontade de telefonar ao Garcia Pereira...). Ou me engano muito, ou isto ainda acaba com a Bayer a perdoar ao seu agapito, alegando que só um tipo que toma os seus medicamentos de forma intensiva se lembraria de alegar que eles fariam o que fosse preciso para aumentar os milhões que ganham com a desgraça humana...

PRAXES

O caso da rapariga que não achou graça ser assaltada pela trupe fadanga do Instituto Agrário foi parar a tribunal. A senhora do Conselho Directivo lá se veio mostrar surpreendida, já que a rapaziada tinha sido castigada na altura com 15 dias de férias. E alguns estudantes actuais também vieram mostrar-se indignados com tanta falta de consciência sobre o que são as alegrias do estudo. Mas a melhor veio de um senhor que lá trabalha que disse com ar de desprezo: "esfregar estrume na cara é normalíssimo!". Sim e decapitar gente na Arábia Saudita também.
CANAL MEMÓRIA

Primeiro dia que o avisto e já me foi útil: fiquei a saber que a Helena Ramos ainda estava viva e a ganhar ordenado na RTP. Sabe Deus quem mais desenterrarão eles do mausoléu...

7 de novembro de 2004

Falta-me o tempo debaixo dos pés...
ANIMAÇÃO

Para os apreciadores de filmes de animação está a chegar a época da caça. O Cinanima (Festival de Cinema de Animação de Espinho) começa na próxima semana. Para quem gosta de curtas ( este ano, vão estar presentes algumas longas com interesse, igualmente), vale a pena rumar a Norte (ou a Sul, para os amigos da ponta superior do rectângulo) e ir passar lá uns dias. O cinema é bom, a seleccção também, as pessoas são acolhedoras e - por Zeus!- come-se bem, ou não estivéssemos em terra de bom garfo :)

INIMIGO PÚBLICO

Está cada dia melhor, o suplemento do Público. O dossier do J.Pina sobre a "Task force" para eleger um papa português, esta semana, foi de mais. Lol!
O cartoon do A. Jorge Gonçalves representando o presidente da América montado num elefante que esmaga gente, também está óptimo. Ou não fosse ele um nos melhores artistas gráficos portugueses.

LIVROS

Reparo, agora, que ultimamente não falo de livros. Como se não lesse. De filmes, sim, do país idem, mas de livros não. E contudo, tenho sempre alguns à cabeceira e outros à mão, enquanto desespero pelos/nos autocarros. Deve ser aquela coisa de não precisar sempre de estar a falar no nome dos amigos verdadeiros. Estando eles sempre connosco.

4 de novembro de 2004

PICKLES

Estive a pensar sobre a energia dos Conservadores. E parece-me que tal como os que querem a mudança em direcção ao futuro também eles se prontificam em puxar a carroça dos dias. Por lapso, foram presos ao contrário. Mas que diabo: quem nunca se enganou na direcção que atire a primeira maçã!

DonkeyCar.jpg
PROMOÇÕES

wizard.jpg


Só no outro dia, ao vê-lo na sua visita à Fraca Autoridade para a Comunicação Social, é que me apercebi que o Luis Delgado já tinha trepado até ao topo da PT (foi bonito ver toda a gente a jurar que o poder económico nunca iria interferir para favorecer um governo que o idolatra...). Ainda bem para ele, pois parece-me simbolizar bem o momento que o país atravessa.
Agora... se o Paulo Cardoso ou a Maya vierem reclamar postos iguais por serem tão bons adivinhos como ele, não se admirem...
ELOGIO DA DELAÇÃO

Muito bem terá feito o enfermeiro que denunciou a desgraçada de 17 anos que abortou. Quando morrer vai ser recebido no Céu pelos meninos do PP, de gravatinhas azuis e asas muito lavadinhas. E com um bocadinho de sorte, ainda pode entrar para criadito da Nogueira Pinto, na sua mansão celestial.
Quanto aos que se indignaram com a denúncia, peço um pouco de caridade: o senhor não tem culpa de ter saltado na escola, a parte que referia o direito do doente ao sigilo. Ou até, todo o capítulo de ética.
SUPER SIZE THEM

A América está mais busha.

1 de novembro de 2004

DOC LISBOA

Por razões de algum desânimo moral e de excesso de trabalho só pude assistir aos filmes de abertura e de encerramento. Mas pelo que fui constantando o festival correu muito bem. Cerca de 15000 pessoas assistiram aos filmes.
Gostei da cerimónia de encerramento. Por estar cheia e porque serviu entre outras coisas para várias pessoas se manifestarem sobre o momento político que atravessamos e da forma como o documentário deverá ser cada vez mais uma forma de revelar o presente em vez de urna das coisas passadas. O jovem realizador premiado com o seu documentário sobre Cesariny (não fixei o nome, mas já vou ver e corrijo...) fez uma declaração interessante que nos remeteu para a nossa passividade. O aplauso que se seguiu é bem revelador da forma como um governo cretino nos está a obrigar a radicalizar o discurso...
O filme de encerramento, O MUNDO SEGUNDO BUSH, não é brilhante. E tendencioso. Mas ainda assim cumpre uma missão de alerta a que não podemos ficar indiferente. Uma saudação aos programadores da RTP que tendo lido o programa do DOC acharam que passar NA MESMA NOITE esse documentário era uma ideia brilhante... Enfim... São artistas portugueses e ainda devem lavar as dentaduras com Pasta Medicinal Couto.
KISS ME 2

A fotografia é óptima, a música adequada e a modelo-protagonista portou-se bem. Erro clamoroso de casting na figura da mãe, que atira com ar pugente "Volta para o teu marido, Laura" (a frase é minha, de facto, embora dita por esta actriz tenha soado como se um dos Távoras estivesse a gritar do garrote). A reconstituição também está bem.
E, aqui e ali, o realizador conseguiu convencer-nos com aquela Laura-Rose, perversa e bela.




KISS ME 1

Não assisti à rodagem, nem à montagem do filme de António da C. Telles, ao qual emprestei (como outras pessoas) o meu nome enquanto argumentista.
Depois da antestreia, com toda a serenidade, gostaria apenas de me demarcar do resultado final. O argumento que vemos transportado em imagens está longe do que me foi solicitado e cumprido. Foi adulterado em excesso, carregado de diálogos simplistas e evidenciado no acumular de personagens.
Agradecia que sempre que se referissem a este filme, no que toca à estrutura e diálogos, omitissem o meu nome. É que não fui tido nem achado naquilo que chegou aos actores.


28 de outubro de 2004

A VILA

Ia preparado para um filme de terror. Os bosques lá estavam, a lembrar o... (BRANCA) feito sem dinheiro e onde o medo nunca é mostrado. (LEMBRANÇA: o "Blair Witch"!). Para quem tinha ficado desiludido com "Sinais", este filme foi uma boa surpresa. Uma câmara magistral, sobre uma história que nos vai surpreendendo. Aqui e ali, teríamos dispensado tanta informação, mas quando se reflecte melhor, estava-se era a falar de outra coisa ainda. Imperdível.
BACK!
:)
... olha e que se lixem os que constroem pirâmides de lixo e confundem o zunir das moscas em volta da cara com Mozart!
Será deles o reino dos Infernos. Entregue ao domícilio e de forma prematura.

20 de outubro de 2004

OBRIGADO
a todos os que se me têm dirigido para enviar um abraço solidário, via comentários, e-mails ou telefone.
O assunto seria ridículo se não denunciasse que muitos de nós que escrevemos, filmamos ou simplesment expressamos a nossa opinião sobre Portugal, dormimos algures, num computador do SIS. Pior: que existem pessoas no nosso país, repito, no NOSSO, o de todos, aquele que amamos apesar de tudo, que andam pelas livrarias a ver o que se escreve e a elaborar relatórios sobre a perniciosidade de alguns textos. Em 2004. Isso é que assusta e entristece. Que classifiquem como autor a "isolar" o homem que escreveu A MONTANHA MÁGICA é de brutos; de ignorância alimar. E quem são estes homens e mulheres que se escondem para nos espreitar? Quem os controla? Quem destrinça entre o que é opinião pessoal ou gosto da informação útil? Quem nos assegura que eles não forjam informações? Quem está a salvo deles?
Que governo é este que alimenta esta gente e se compraz na leitura de INDEXS inquisitoriais? Até quando poderemos achar que as coisas não vão voltar à podridão de um regime salazarento?

Se isto fosse um romance anterior ao século XX eu poderia fazer uma interpelação ao leitor:
"Tu, que me lês, julgas-te a salvo da lama que cai? Não o estejas, que a lama tem muitas cores e salpica quem pode, pois é essa a sua condição de lama...".


19 de outubro de 2004

O REGRESSO DA PIDE

Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:

Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?

O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...

ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.


View image

Para os apreciadores do género, já começam a circular pela net as pré-imagens da ida ao campeonato mundial de Quiditch. Nos nosso cinemas só daqui a um ano. ;)
FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Correu bem. Muitas sessões de casa cheia (lembro que tem mais de 800 lugares, a sala 1 do S. Jorge). Alguma descoordenação com as sessões paralelas (lembro o caso da apresentação quase à mesma hora de outros filmes do autor que estava a ser mostrado na sala principal. Das duas uma, ou se optava por ir ver um filme antigo ou, gostanto do filme recente perdia-se o ver ou rever de outros feitos anteriormente).

LES CHORISTES foi uma boa surpresa. Um filme de grande público que conseguiu fazer passar a emoção a uma audiência muito heterogénia.

O filme de Agnès Jaoui realizadora de O GOSTO DOS OUTROS volta a ganhar com COMME UNE IMAGE, uma comédia sobre um escritor egocêntrico (uma redundância, eu sei...).

François Ozon, que tem uma filmografia formidável desilude em toda a linha, com o sue 5 X 2, uma espécie de MEMENTO sentimental, com a montagem de trás para frente. A ideia não é má e as cenas são bem filmadas e interpretadas, claro. Mas chega-se ao final e apetece-nos citar o título infantil: "Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

Para o ano há mais, se o S. Jorge existir como cinema. Se esta câmara e as suas ideias pós-modernas fora de tempo não se lembrarem de o transformar numa coisa irreconhecível e musical...

18 de outubro de 2004

MAU TEMPO NO CANAL

Chove. Por todo o lado.
... Mas, olhando bem, ainda estou razoavelmente enxuto.
Vamos lá, então, receber a semana!

16 de outubro de 2004

FIM DA SEMANA ANTES DA SEMANA

Peço desculpa de não escrever hoje a comentar santanices, marcelices, injustiças, gozações com o contribuinte...
É que estou ocupado a regar o amor filial.
:)

14 de outubro de 2004

AINDA A RELIGIÃO...

Não há nada como as fontes. Quando se lê directamente (sem intermediários, portanto) um texto, quase sempre chegamos à conclusão de que este foi sujeito a toda a espécie de adulterações. É uma coisa humana, a distorção do boca-a-boca, a intrusão daquilo que nós somos e do que queremos dizer durante o processo de transmissão de uma mensagem. Aprende-se no 5º ano, nas Funções da Linguagem. Mas a gente esquece, mal se começa a crescer.
Com as religiões aconteceu o mesmo.
Por gosto e atracção pela poesia da linguagem, mergulho de vez em quando nos livros sagrados das várias religiões. Leio na origem os versículos que levam a que homens se imolem pelo fogo e outros se assassinem nas ruas do mundo. E chego sempre a conclusões interessantes.
Primeiro, os livros ou as partes constitutivas do registo que sustentam cada uma das principais religiões foram sendo escritos ao longo do tempo. Num caso específico, ditado por alguém que afirmou tê-lo ouvio de Deus a outros que guardaram na memória e que por sua vez transmitiram a outros que o foram registado onde puderam: ossos de camelo, pedras etc... Noutro, o processo há-de ter sido semelhante: gente inspirada pelo céu e sem testemunhas chega com um relato que é registado de forma dispersa ao longo do tempo. Mais tarde, esses e outros manuscritos são misteriosamente encontrados, seleccionados (isto é, guardaram-se os que interessavam e afastaram-se os que contrariavam as crenças da época) e divulgados.
Ler as fontes e olhar para a forma como o manuseamento dessa informação tem sido manipulado desde há muito faz com que eu tenha a certeza de que não vivemos nos tempos de ciência e liberdade que se propagandeia. Quando muito, numa Idade Média limpinha.

ps:
As traduções que nos chegam são feitas por pessoas que acreditam. Em muitos casos por poetas conhecidos. E são escritas (no caso português) com uma beleza que contraria em muito a rudeza dos castigos anunciados. E que por mais não fosse, só isso valeria a viagem ao papel fininho.

13 de outubro de 2004

OUVI...

"...Marrocos, este fatídico acidente. A viagem, organizada pela PT, para os seus melhores clientes, entre os quais o presidente da câmara de Lisboa, gerentes bancários..."

Como?! Sou só eu que acho ligeiramente estranho o presidente da CML andar em passeios pagos por uma empresa de telecomunicações que certamente participará de concursos públicos, et., etc...?
Espera... Só se ouvi mal e a notícia se referia a um laboratório farmcêutico e a médicos do Serviço Nacional de Saúde.... Ai sim, seria normal...!

Começou hoje o julgamente de um pai e da mulher que terão maltratado uma criança até à morte. Vai daí lembrei-me de outra frase ouvida sobre o caso miúda assassinada (presumivelmente) no Algarve:
"o tio confessou ter apenas participado no espancamento".
No "espancamento"? "participado", isto é, era mais do que um adulto a bater numa menina de 8 anos?
Deve ser o que as piedosas tias do PP referem como a "supremacia dos valores familiares"...
"Nojo", é a única palavra que me vem aos lábios.

F....

Como é que é possível apelar-se à racionalidade, à visão clara das nossas potencialidades e fraquezas, num país que acredita sinceramente que a imagem de uma mulher morta há mais de 2000 anos, a milhares de quilómetros daqui, apareceu em 1917 empoleirada numa oliveira...?!
Só de pensar que estou vivo numa época que pensa assim começo logo a ver o sol a rodar...
sol.jpg

12 de outubro de 2004

A ESCRITA ALIMENTAR
Não é que não se possa fazer poesia enquanto se põe o pão na mesa... O que não se consegue é ouvir os sons da seara com o barulho do estômago a roncar.

bread.jpg

11 de outubro de 2004

FILMES DE LÁ E DE CÁ

Pura distracção: esqueci-me de comprar o bilhete para a antestreia do filme baseado na obra do Bilal "Os Imortais" (eu sei, eu sei, existe um outro) e não apanhei lugar. A sessão esgotou. Os 800 lugares. Ainda bem que o público aderiu em massa.
Vai daí, meti-me no metro e fui até ao Colombo ver o trash movie "Balas e bolinhos". A única crítica que tinha visto fora de alguém que se está virado para dizer bem, diz, se acorda com os pés ao contrário diz mal. O que nada ajudava.
Primeiro: o realizador tem "mão". Não só escolhe os enquadramentos justos, como a sucessão de planos é ainda mais justa. Consegue um filme cheio de ritmo, apenas com um fiozinho de história. O que é obra. Tem 2 planos de grua (quem é que lhe terá emprestado o aparelho... ;) ) absolutamente impecáveis. Aliás, não me lembro de ter alguma vez visto igual num filme português.
A imagem vídeo aguenta-se bem e o som era bom, na sua generalidade.
O público riu do princípio ao fim e nem a brevíssima aparição amacacada do Fernando Rocha conseguiu sujar demasiado a coisa.
É claro que não tem um argumento a sério. Mas até aí está igual a 90% do cinema nacional. Só que sem pretensões. Falha pela inexistência de diálogos escritos e pensados (evitava o falajar penoso do actor principal, uma das grandes fraquezas. Vê-se que está cheio de boa vontade e energia, mas a coisa não vai lá).
Foi divertido, e correu lindamente na sua hora e quarenta e oito minutos. Quantos filmes pagos com os nossos impostos se podem gabar disto? Quase nenhum.
Só por cegueira não se verá a bondade da exibição deste filme. E só por hipocrisia não se perceberá que o caminho da produção portuguesa passa por este arriscar em trabalhos longos e sem meios, mas que chegam ao fim e agradam a algumas pessoas.
Os mais corajosos que vão ver e voltem para contar.

9 de outubro de 2004

LIVROS

Já estou há algum tempo para referir uma das minhas últimas leituras, CARTER VENCE O DIABO (asa) o primeiro romance de Glen David Gold. Mais de 600 páginas bem escritas a remeterem para o mundo dos ilusionistas. Para quem tomou contacto com o trabalho de Houdini e de tantos criadores de ilusões do início do século XX é um livro fascinante. Porque fiel ao espírito que movia esses homens.
Não é um livro para Nobel, mas pode encher muitos fins de noite daquele prazer antigo de sermos acompanhados por uma boa história.
E o site é igualmente divertido.

FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Sem as enchentes ou a animação do ainda fresco "Indie", a Festa tem uma selecção variada e curiosa de filmes. Hoje, passou WILDE SIDE (2004-Drama), de Sébastien Lifshitz. Um filme interessante, filmado sem grandes pruridos e com uma autenticidade no trabalho com os actores tocante.
O programa está disponível em vários locais da net, nomeadamente aqui.

bilal.jpg
DANTES, USAVA-SE
a vergonha na cara.
Os "trabalhadores" da Caixa Geral de Depósitos marcaram uma greve para o dia 29 de Outubro. Tomado por um palpite fui verificar o calendário: 29 é a sexta-feira que antecede o feriado de 1 de novembro. Sexta, sábado, domingo e segunda de férias.
Um dia, a sem vergonhice desta ala da função pública criada na babugem do Verão Quente, terá de acabar. Os milhares de malandros que entopem as empresas públicas e os sindicatos terão um dia de perceber o significado das palavras "brio", "honestidade" e "produtividade". Ou dar lugar aos que estiverem dispostos a cumprir as suas obrigações.
Por enquanto não passam de um bando de aproveitadores dos nossos impostos.

7 de outubro de 2004

Marcelo

já se escreveu tanto sobre um assunto cujo principal visado permaneceu em silêncio que qualquer opinião será provavelmente errónea.
Diria apenas que Marcelo R. Sousa tem tido um papel muito válido no "assentar da poeira" das questões nacionais. Se lhe dermos o desconto das opções ideológicas mais imediatas, digamos assim, ficamos com um comentador sensato apostado, quase sempre, em gerar consensos; mais virado para a dinamização das energias nacionais do que para a má língua. Com alguns deslizes que só lhe ficam bem, porque o aproximam dos menos hábeis a distinguir o trigo do joio.
O secretário de estado (era um ministro?) terá cometido a gaffe... Olha a novidade! Como se alguém esperasse deste executivo (que, malgré tout, tem algumas pessoas com valor - uma, ou duas) alguma coisa proveitosa.
Santana Lopes afundar-se-á por si próprio, apenas porque é de papel. E, qualquer miúdo lhe poderia dizer que os barquinhos de papel amolecem e desfazem-se ao fim de algum tempo.
Se até a saída de um comentador de uma estação de televisão é capaz de mexer com eles...

5 de outubro de 2004

LA CONFIANCE

pedem-me que confie. em deus. na existência do céu. na bondade da obediência às leis. na justiça e nos seus defensores. no inevitável crescimento económico. que o crescimento económico de uns trará a riqueza de todos. que o amor eterno. que a amizade eterna. existem. que me deixe levar para o bem de todos. que dê a outra face. sempre a outra face. e se for possível, o cu. e o cérebro. e tudo o que eu souber e seja útil a alguém que não a mim.
pedem-me que seja sempre bom, num mundo em colapso. que me cale se não quiser criar inimigos. que minta se quiser fomentar amizades. preciosas para a obtenção das riquezas temporais.
pedem-me que compreenda que nada é verdadeiro. que a aceitação dessa ideia é um velho pacto entre os homens e a felicidade terrena.
pedem-me tudo isto. e eu cedo. todos os dias me esforço por ceder. mesmo se há dias em que não consigo deixar de sentir, sob os pés descalços, as pedras do chão de terra.


4 de outubro de 2004

NO BUDGETS

Defendo há vários anos a necessidade da produção independente de filmes. Quando eu digo "independente", quero dizer Low budget ou até mesmo NO budgets filmes. Com o aperfeiçoamento do vídeo digital (chamo a atenção dos mais ambiciosos para a chegada do novo modelo da Sony - como não me pagam para isto, imagino que outras marcas também lancem modelos - de Alta-Definição (HD) em tamanho compacto) e com a vulgarização da edição de filmes em computadores a 7a arte ficou de facto... ao alcance dos artistas. Não só dos pseudo,como até dos verdadeiros. Aqueles de quem desconhecemos o nome. Por agora.
O subsídio de filmes criou em Portugal não só resmas de bluffs a quem chamamos "cineastas", como tem alimentado alguns (muito poucos) tubarões. Gente interessada em que nada mude enquanto os ventos lhe soprarem de feição. Tudo lhes serve: amigos colocados nos júris dos concursos, jornalistas que escrevam em diários, controlo de salas de exibição, etc, etc.
Para romper este ciclo só há uma possibilidade honesta: fazer a custo zero. Unir esforços de actores, realizadores, pós-produtores. Criar mecanismos de distribuição e exibição alternativos.
E assim, trazer ao de cima um cinema que tem sido esmagado e menosprezado por toda uma (com resquícios na actual) geração de agentes cinematográficos.
Ia falar da produção de Balas e Bolinhos, em exibição em pelo menos 2 cinemas e feito com o esforço e entusiasmo de uma equipa do norte. Tem o Fernando Rocha no elenco, o que vai retardar a minha ida à sala. Mas quando vir, logo direi o que me pareceu. Uma coisa será certa, pior do tanta e tanta coisa a 130.000 contos, cada, que temos visto nos últimos anos, não será...
Não há nada para lá da Coragem.

3 de outubro de 2004

INDIE- encerramento

Ora aí está a prova de que me enganei ( e o Eurico de Barros também) redondamente com o filme português em baixo referido. Um júri constituído por um crítico do Público e dois jornalistas franceses, resolveu dar o Prémio da Crítica ao ex-crítico do Público, Miguel Gomes. Surpreendente para alguns, atendendo às timidas vaias que se fizeram ouvir na sala (eram mais as pessoas que batiam com a mão na testa e exclamavam "Eu não acredito"). Enfim. Cada país tem a cara que merece.

Os restantes prémios foram: Melhor Filme Português, para LISBOETAS, de Sérgio Trefaut; Melhor Fotografia, Rui Poças; melhor curta-metragem, CON QUE LA LAVARÉ (animação) e o Grande Prémio foi para LE MONDE VIVANT (que ainda não vi).

NOITE ESCURA não ganhou coisa nenhuma, helàs, mas ainda lhe resta o Festival de Cinema de Portel que começa agora.

Os directores estavam contentes com a adesão em massa do público, apesar do desconforto do ar condicionado (que a benzoca da Egeac procurou desvalorizar - não sei a quantas sessões assistiu, mas com tanta descontração não devem ter sido muitas - remetendo para o passado, a responsabilidade da coisa). Deram-se mesmo ao luxo de anunciar o Número Real de espectadores (esta sinceridade, só por si, já os torna num caso raro, no reino dos dados inflaccionados...), até ontem, mais de 11.000 pessoas. O que para uma primeira edição de um festival ligeiramente apoiado pelo Icam, foi extraordinário.

E pronto, quem quiser pode assistir amanhã aos filmes premiados.
Para o ano há mais. Duvido é que seja no S. Jorge, pelo relax da criaturinha ao declarar que a sala "não serviria só para cinema", e que ia para obras.
Se fosse pessimista diria que lá vem o rockódromo, disfarçado de coisa inteligente.

2 de outubro de 2004

INDIE - último dia
Por razões várias (da família do Pão na Mesa), não pude assistir aos filmes dos últimos dias.
Um dos que não iria ver, de qualquer maneira, seria a - por assim dizer - longa-metragem de Miguel Gomes. Tal como muito gente, simpatizei com o seu primeiro filme, até dar de caras com o original de François Ozon e ter preferido este último. Eurico de Barros, contudo, assistiu:
"No entanto, não é correcto chamar longa-metragem a A Cara Que Mereces, porque se trata mais de uma desconcertante experiência cinematográfica, do que outra coisa - um híbrido de curta inacabada e de fita de amigos, nos limites da auto-indulgência e cifrada pelo realizador para que ninguém tenha a menor ideia do que está a ver. Para saber sobre que é este filme, o espectador terá de ouvir ou ler a explicação do realizador. E não há nada pior do que um filme que não se sabe contar a si mesmo e precisa que o seu autor o decifre..." (DN). Não perdi nada, portanto.

Hoje é a sessão de encerramento (por convite, helàs) com o documentário Super Size Me". Uma incursão ao mundo da junk food e aos deliciosos efeitos sobre as nossas anatomia e saúde.

O balanço ficará para amanhã, depois de sabidos os prémios.
JOBS FOR THE POORS

Folheio o jornal e dou de caras com anúncios de câmaras municipais, escolas e institutos a pedir gente. Auxiliares. Ordenados na casa dos 400/500 euros mês. Seria curioso pensar como é que se vive num dos países com o custo de vida mais elevado da Europa com esse dinheiro.
Isto lembra-me que uma amiga não se pode reunir comigo na próxima semana (desenvolvemos um projecto complicado no domínio das novas tecnologias e do vídeo) porque lhe apareceu um trabalho de alguns dias como Assistente de Guarda-Roupa. Anos a estudar cinema no estrangeiro para ganhar a vida a passar vestidos a parvas que mal sabem ler ou escrever (e que gostam desse estado) mas que ganham milhares de contos por mês. Alguém tem uma ideia de quanto ganha a Merche Romero? Ou aquele apresentador/actor dos Ídolos? Eu tenho. Mais de um mira-amaral por mês. A minha amiga está contente porque vai ter dinheiro para pagar a renda, este mês. Tal como a amiga que lhe arranjou o biscate, arquitecta no desemprego e que também andará a apertar os fechos às coristas.
Alguém se admira dos miúdos se espremerem em filas de quilómetros para fingirem que sabem cantar e atingir o "sucesso"? Eu, não. Já não.
As alternativas estreitam-se cada vez mais, no nosso país(inho) com gel.


30 de setembro de 2004

E NÃO BUFA!

Hoje foi anunciado o início das portagens nas SCUDS (sigla inglesa que quer dizer Estrada em Sítio Onde Dantes Seria Preciso Morrer Para Lá Chegar). Como não se atreveram a desmentir o José Barroso, lá inventaram esta coisa de durante 2 ou 3 anos os indígenas não pagarem. Depois dessa data, ou pagam ou vão marrar com os cornos contra os camiões da nacional 125, isto para só citar uma das zonas atingidas.
Os juros para habitação também vão subir.
E por aí fora.
Está assim compreendido o que queria dizer Bagão Félix ao afirmar que a economia de um país se gere como uma casa de família. Não especificou é que a casa era a do Santana Lopes e que a maioria de nós só ganha para ser o seu criado de quarto. Por este andar vamos acabar todos a passar fome. Ou a ver passar os mercedes dos quer roubam quanto podem.
Em termos históricos, nada de novo. Em 24 de Abril de 1974 era exactamente assim...



INDIE - dia 6

Além das curtas (que esgotaram, claro) houve a antestreia do último filme do João Canijo "Noite Escura" (a tradução foi muito mais romântica: "In the darkness of the night"). Sessão concorrida com a equipa do filme, e uma chusma de actores mais ou menos reconhecíveis.
Que dizer? Houve quem gostasse.
Pessoalmente fico-me por alguns momentos do desempenho da Rita Blanco. E por uma Beatriz Batarda muito bonita (por dentro) e quase sempre eficaz. Quanto à realização, para quem não tenha visto nada do realizador, se abstenha dos filmes a concurso e se meça por aquilo que se faz em Portugal com o dinheiro dos nossos impostos... diria que foi boa.
Claro que isto que estou a dizer será contradito pelo Público e por vários jornalistas que ganham a vida a escrever bem sobre as produções Paulo Branco, aquando da estreia. Adiante.

Hoje, temos um filme do Sabu "Hard Luck Hero", acção em japonês. Nunca vi nada dele mas dizem-me que tal como o autor do "Breaking News" tem uma legião de fãs.
Além disso e super-recomendável, duas sessões de curtas-metragens (chegar cedo para apanhar bilhete, recomenda-se)

A votação para o Prémio do Público sofreu ontem uma reviravolta com a ascensão directa ao primeiro lugar de ALICE ET MOI. Para os que estão lembrados, ou tenham pachorra de ler os arquivos deste blogue, já se tinha vaticinado a coisa.
alice_et_moi.jpg

28 de setembro de 2004

INDIE- dia 5

Vou ser breve: as duas sessões de curtas metragens foram boas, bem equilibradas; o filme "Temporada de Caça", foi óptimo (estreia em breve, em Portugal). As salas mais pequenas (250 lugares) continuam a esgotar amiúde e a EGEAC continua a não tratar do ar condicionado.
Ah: e, pela primeira vez em Portugal, um catálogo de Festival (onde estão as fichas técnicas, sinopses...) esgotou e estão a imprimir a 2ª edição. Um sucesso editorial que assevero não ser, de todo, light...

PATH

Há pessoas que carregam a solidão dentro de si. Como uma segunda natureza. Como se o mundo fosse uma arca de noé, com todas as espécies aos pares e eles se segurassem sozinhos à amurada, enquanto as águas subiam e a nave balança. Não há nisto nada de especialmente trágico. Apenas outra forma de viver a sua condição.
É a estes que os tarólogos gostam de mostrar a carta "O Ermita".
ermita.jpg
INDIE- dia 4

Estou a resistir. Quatro dias enfiado nas cadeiras do S. Jorge. Acho até que me estou a habituar à temperatura das salas. Como se vivesse sobre o Equador... Adiante.
O sucesso do festival, não sendo inesperado, está a ultrapassar todas as expectativas. Milhares de espectadores assistiram aos 4 dias de exibições, atingindo números que estão a fazer cair de cu, a rapaziada da Câmara de Lisboa: os mesmos que recusaram à Zero em Comportamento, uma das salas pequenas onde fosse possível ter uma programação regular de cinema independente... Enfim, pela falta de neurónios morrerá o peixe.
Ontem foi dia da segunda (e última) exibição das aventuras da IRON PUSSY, um disparate fílmico do impronunciável Apichatpong Weerasethakul em colaboração com Michael Shaowanasai e do CZECH DREAM (até ao momento, o principal candidato a Prémio do Público) Não consegui ver este último, mas a reacção geral foi a melhor. Quanto às peripécias da agente transexual Iron Pussy ( o nome diz tudo) foi um fartote de riso. Julgo que a maioria dos espectadores (a sala estava praticamente esgotada, pela segunda vez) também. Houve quem odiasse, claro. É um daqueles filmes que se presta a isso.
O BREAKING NEWS também juntou mais de 300 espectadores (número a olho). Um policial bem construído, para apreciadores do género.
Falhei o LISBOETAS, documentário de Sérgio Trefaut, que espero ver em próxima apresentação.
Para quem ainda lá vai hoje, recomenda-se a Competição de Curtas 1, A TEMPORADA DE PATOS e (não vi...) o que parece ser um dos filmes mais bizarros do festival LE MONDE VIVANT
NO COMMENTS

Ontem, um homem que ganha a vida a vender bolos de chocolate despediu-se de mim com a frase "Obrigado por ser meu fã.
Todos os dias ouvimos coisas surpreendentes.

27 de setembro de 2004

INDIE-dia 3

Foi dia da argentina Lucrecia Martel, com a sua LA NINA SANTA. Não vou mentir, fiquei um pouco decepcionado, face a tanta expectativa. Claro que ela filma com uma sensibilidade muito interessante e que o filme arranca e termina bem... Mas o meio enrolou, enrolou... Enfim.
O pior foi o sistema de legendagem ter resolvido armar-se em caprichoso. Perante uma audiência de mais de 500 pessoas (sim, leram bem, a sessão ultrapassou os 500 espectadores), decidiu que não lhe apetecia. A organização parou o filme, pediu desculpas e tratou do problema. Perante uma ou duas pessoas irritadas (provavelmente habituadas à eficiência mecânica dos cineminhas da Lusomundo - tipo queca semanal: não falha, mas não deixa saudades) seguiram a segunda hipótese proposta e reaveram os preciosos 2 ou 3 euros do bilhete. Estavam no seu direito.
Melhor foi a selecção de curtas que passaram em Sundance. Com destaque para o último filme, GOWANUS, BROOKLIN, uma incursão nos subúrbios novaiorquinos, com óptimas interpretações.
Também à volta da comunidade negra (afro-americana, como é politicamente correcto afirmar-se), foi o filme da tarde, premiado em Sundance. Bem construído, sem grande arrojo. E um pouco panfletário para o meu gosto, na sua insistência em nos mostrar a chatice que é ser gay, negro e artista para aqueles lados. A gente já tinha percebido... Não era preciso fazer mais um filme sobre o tema. Digo eu.

Amanhã é o dia das curtas não competitivas, esse sim, a não perder. E para quem gosta de filmes de acção total, em ambiência "manga" (grosso modo, já que o filme é de Hong Kong), passa o BREAKING NEWS, do JohnnieTo. Ah, e já me esquecia, um filme de produção portuguesa (realizador brasileiro) LISBOETAS, de Sérgio Trefaut.


A SUÍÇA UBER ALLE

"Os eleitores suíços rejeitaram hoje a facilitação do processo de naturalização de imigrantes de segunda e terceira geração, depois de uma intensa campanha nas vésperas do voto, que diversos partidos e organização denunciaram como racista e xenófoba.Cinquenta e dois por cento dos eleitores suíços rejeitaram uma primeira proposta de legislação que dava cidadania automática a estrangeiros de terceira geração nascidos na Suíça, isto é filhos de pessoas nascidas no país ou netos de imigrantes residentes na Suíça há muito. Uma segunda proposta, que pretendia facilitar o acesso à cidadania para a segunda geração, foi rejeitada por uma maioria ainda maior: 57 por cento." (in "Público").
Só quem não conhece de perto este pequeno país, com os seus agricultores altamente subsidiados e protegidos (não só os preços dos produtos agrícolas são absurdos, como é proibido ir a um dos países do lado e fazer compras à vontade, só para dar um exemplo), as velhas denunciantes atrás dos cortinados das janelas e a opinião generalizada de que os estrangeiros não são "propres" (limpos/correctos"), é que pode ficar admirado.
Este grupo de lavradores, enriquecidos com a desgraça da segunda guerra mundial e com os biliões e biliões de dólares sujos depositados nos seus bancos, acabará sozinho. Uma espécie de aldeia gaulesa, mas muito envelhecida...

suisse.jpg

26 de setembro de 2004

INDIE - DIAS 1 E 2

Lotação esgotada para a abertura, como se (eu) esperava. 24 antes, já não restavam bilhetes para o BEFORE SUNSET. Lá nos abanámos com leques ou com o que se apanhou a jeito (já lá irei ao assunto...) enquanto assistíamos ao comovente reencontro das duas personagens, em Paris.
Um filme romântico mesmo para quem não gosta de romantismos. Uma película que parece feita de simplicidade: planos sequência, dos dois nas ruas de Paris, diálogo constante, ausência de grandes acções... E contudo, somos tocados. E contudo, criamos empatia total com os protagonistas. A recomendar, aos corações sensíveis, assim que estrear em sala ;)

Hoje, assisti ao FOG OF WAR, um documentário americano, bem escrito, bem realizado e, sobretudo, montado de forma hábil. Através da entrevista ao antigo Secretário da Defesa (que conduziu o processo de guerra durante o final da 2ª Guerra Mundial, crise dos mísseis de Cuba e Vietname) percebemos melhor o que leva os homens à guerra. E, também, que alguns deles o podem fazer sabendo que não há nada de mais errado do que um homem matar outro.

Como não tive pachorra para o filme francês (creio) OR MON TRESOR - e bem, a julgar pelo enfado de alguns dos espectadores apanhados em falso), pude pensar com calma se queria ver o filme O ALBINO (que estreará em Setembro) ou o super-comentado em Cannes TARNATION. Optei por este último. Sala totalmente esgotada, de novo.
Resumidamente, trata-se de um interessante filme, feito a partir dos auto-registos (em vídeo, super 8...) do realizador. Ao contrário do que a sinopse sugeria não me pareceu um filme "sobre a mãe". Antes um exercício virtuoso de um Narciso. Mas que exercício...!
Custou perto de 200 dólares, montado num Macintosh caseiro...
A quem servir a lição, que a aprenda.

tarnation.jpg

Amanhã há mais.
O S.JORGE

Os organizadores do IndieLisboa vieram provar não só que Lisboa (e o país) necessitava de um festival internacional de cinema a sério, como era possível fazê-lo. Com trabalho, profissionalismo e uma competência aliada a um grande amor ao cinema.
Daí que se visse na cara dos funcionários de São Jorge uma motivação inesperada. Pela primeira vez (que eu me lembre) vi aqueles funcionários a darem o seu melhor e a trabalhar com gosto. Está bem que não viam espectadores há muito tempo e que salas quase sempre à cunha de gente interessada, também por ali já não havia memória. Mas ainda assim.
Claro que... quem por lá tem passado os últimos dias tem suado as estopinhas: literalmente. A EGEAC (a empresa que toma conta dos equipamentos culturais da cidade) tinha-se "esquecido" de que o sistema de ar condicionado estava avariado. "Há uns dias?", perguntei eu, ingénuo. Não HÁ MESES. "Como vai para obras, não valia a pena...".
Deixem-me pôr as coisas assim: ao aceitar festivais e mostras de cinema e a não lhe dar as condições mínimas (40 º dentro de uma sala é obra...) é o mesmo que eu convidar amigos para jantar em minha casa sem ter lavado a louça. "Como se vai sujar a seguir...".
Oh, valha-me Deus!

23 de setembro de 2004

A NOSSA MENINA!

Ai que grande alegria: a nossa menina vai para administradora da Caixa Geral de Depósitos. Quem andou a dizer que a Celeste Cardona mereceria a coroa da Ministra Mais Estúpida do Mundo, deve estar neste momento a sentir-se constrangido. Será incompetente, pois será. Não percebe um boi de actividade bancária, pois não percebe. Mas que diabo, não será ela um maravilhoso símbolo dos tempos em que vivemos? Premiar a inépcia e a estultícia não se tornaram obrigatórios, em 2004? Santana Lopes não chegou a primeiro-ministro e não se arrisca a chegar a Presidente da República, depois de esburacar Lisboa e delapidar o erário municipal?
Ora aí está: a nossa Celeste vive os seus (longos) 15 minutos de fama.
A dúvida consiste em saber quantos mira-amarais irá ela arrecadar por mês?!

ps: se quiserem saber o que mais irá acontecer em Portugal basta lerem a Bíblia, livro do Apocalipse: "Apareceu ainda outro sinal no céu:era um grande dragão de fogo com sete cabeças e dez chifres..." etc, etc....

woman.jpg

22 de setembro de 2004

A ÚLTIMA FRASE

Quantas vezes não daríamos tudo para não ter dito uma frase? A palavra-bicho que morde o outro com violência. Sai-nos a razão dos braços, porta fora, deixando-nos o embaraço de se ter ultrapassado a intenção inicial.
Eu não sei, por vocês, mas quanto mim gostava de me calar mais cedo. Tantas vezes...

silence.jpg


ESCOLHAS
Por sugestão das Produções Fictícias, Clara Ferreira Alves vai ter um conto seu adaptado à televisão. O pacote financiado pela RTP, contém ainda escritores contemporâneos, como é o caso de Mário de Carvalho ou Luisa Costa Gomes.

21 de setembro de 2004

O FASCÍNIO DA PROSA

Um jovem poeta (rapaz simpático e de quem tenho aliás boa impressão) disse, há dias, numa entrevista, "estar fascinado pela prosa". E acrescentou que "tinha argumentos para vários romances".
Muitas páginas de experiência depois só posso usar a palavra "ingenuidade", sobre esta atitude. Achar que se "tem o argumento" (a ideia da coisa, depreendo eu...) é o mesmo que declarar ter conseguido que uma serpente faça o pino todas as noites. Isso simplesmente não acontecerá. "Aquilo" que um romance é, define-se muito tempo depois de se começar a escrever. Nem sequer basta conhecer todas as personagens, ou saber o que desejam elas fazer. A essência de um livro que não se queira livreco forma-se a seu belo prazer. Nem o nosso poeta, nem eu, controlaremos algum dia o processo.

ps: a este respeito recebi um post do referido autor (a quem envio um abraço), demonstrativo da sua postura séria, e esclarecendo o lado que mais me intrigara nas suas alegadas afirmações (adaptando o Pessoa, "entre o que se diz aos jornais e o que eles publicam... há uma diferença de verbo"). Não discorda na generalidade das minhas afirmações. Acrescento que seria interessante continuar esta discussão, por ser ela em muitos casos fruto de equívocos e desconsolos pós-publicação.
O MISTÉRIO DA MENINA DESAPARECIDA

A confirmar-se a notícia de ter sido a própria mãe a entregar a filha a um casal de alemães (nesta época de afirmações peremptórias e desmentidos, este post é capaz de deixar de fazer sentido daqui a uns minutos...), todos se vão atirar à mulher como cães. A população que procurou a criança em vão; a judiciária que fez aquilo para que é paga mas que embirra com gente que a engana; nós espectadores que ficamos com o coração apertado.
E, contudo, ao pensar nesta mãe carregada de filhos, arranjados e mantidos sabe deus como, consigo perceber o gesto. Se o gesto foi simples, claro, já que pouco se sabe do protesto. Cresci em meios em que era normal pais de famílias numerosas terem os filhos a crescer junto de "padrinhos", pessoas mais abastadas e sem filhos. É verdade que se seguiram muitos casos de toxicodependência e pequenez moral. Mas, lembro-me do misto de alívio e sofrimento pela separação desses pais. É capaz de ter sido uma coisa dessas, vamos a ver...

20 de setembro de 2004

FILMES

Enquanto não chega a sexta-feira para darmos início ao visionamento intensivo de alguns dos melhores filmes produzidos no mundo, via INDIELISBOA (Cinema São Jorge) sempre nos vamos distraindo pelo cinema comercial. Atraído pelo "Sugerido de um livro de Asimov", fui ver o I ROBOT. De facto, era sugerido. De facto, o Will Smith é um actor... divertido. De facto, não foi uma má experiência, embora a milhas do talento do escritor que esteve na origem da história. th-FX-2.jpg
A melhor interpretação é, de facto, a do actor vestido de verde que dá vida ao robot 3D. Tal como em O SENHOR DOS ANÉIS, a "interpretação computorizada" abre um precedente na história do cinema. E, prova, ao contrário do tema do filme, que por detrás de uma máquina está sempre o talento do Homem.

ATLETISMO CULTURAL

Já tentaram escrever um romance denso de centenas de páginas aos bochechos, entre corridas para pôr o pão na mesa? É fascinante. O equivalente ao maratonista que treina para os jogos olímpicos, uma hora por dia, depois de despachar as declarações fiscais do irs durante 8 horas.
Mas, com o que se poupa nas bolsas de criação literária, durante um ano, sempre se pode pagar um mês de reforma aos miras amarais.
São as opções de um país que tem o que merece.


17 de setembro de 2004

MAS A DIGNIDADE TEM PREÇO?!

É para mim um mistério o facto de ser pacificamente aceite que um secretário de Estado ou um ministro tenha de se deslocar de BMW para cima. E dentro destas marca e de outras só lhes serve o topo da gama. Nenhum pode chegar num Seat, ou num Citroën. Por causa da "dignidade".
Na verdade, acontecem aqui duas coisas: a) a cáfila usa os cargos para andar de cu tremido, como nunca tinha andado antes. b) assume-se que desde o tempo em que os bispos se vestiam de púrpura, os reis se cobriam de arminho e nossa-senhora de brocado e ouro que só assim é que o povo se verga e convence...
Não me parece que estejam totalmente enganados no último caso, helàs. Sempre dá outro efeito chegar de mercedão à festa na aldeia. Mas, admitindo a semi-legimitade da coisa (e sem sair do campo da demagogia total), falta a questão "onde é que vamos buscar os carros?".
Ora, lembrava-me, e bem, uma amiga minha que trabalhou na Alfândega vários anos, de que neste sítio se encontram parados, para leilão, centenas de carros de alta cilindrada, apreendidos por mil razões. Não poderiam estas viaturas ser colocadas à disposição dos nossos Rabinhos-de-veludo?
Claro que aí não haveria standes envolvidos.... Nem carros a irem parar por 10% às mãos de familiares directos dos referidos políticos.
Mas que diabo! sempre podem esperar pelo inevitável tacho administrativo que se seguirá à função governamental e, nessa altura, ser generoso com os primos e tias.
Digo eu...
art.jpg

QUANDO EU FOR GRANDE, QUERO UM POPÓ!

16 de setembro de 2004

MIRA K GUAPO!

Consta que o ex-ministro Mira Amaral, vai para a reforma com a módica quantia mensal de 3600 contos. A causa desta soma (despachada em tempo recorde) deriva da sua meteórica passagem pela pública Caixa Geral de Depósitos.
Uma constatação que pode fazer salivar os milhares de reformados que vivem com menos de um salário mínimo, é só o que posso dizer.

Ainda dentro dos salários da (dis)Função Pública, respondeu o beato Bagão que "o ordenado médio é de 1800 euros" (10% da reforma acima referida, portanto). Não soubéssemos nós que o salário médio se calcula a partir da diferença entre um administrador de empresa pública (CP, GALP...) e um porteiro de câmara e acreditaríamos que a maioria vive folgadamente.

15 de setembro de 2004

ESTOU

Passamos a vida com medo de perder isto ou aquilo. Medo do quê se a morte nos levará tudo? Por mais que nos esforcemos, nenhum de nós poderá guardar para sempre a beleza, a casa de sonho, a carreira brilhante, a admiração dos maiores...
O único medo que me parece legítimo é o de viver amedrontado.

INÍCIO DE SÉCULO

À medida que nos entranhamos no início do século XXI e vou ouvindo o que se pretende para ele, vem-me à memória o nome de um filme: "Toda a Nudez Será Castigada".

Naked.jpg


DEMOCRACIA MUSCULADA

Acabo de ouvir uma das mais fantásticas declarações dos últimos tempos. O (por assim dizer) ministro da justiça disse qualquer coisa como isto: "Queremos a concertação (a palavra era outra, de que me não recordo, com o mesmo sentido) com os parceiros sociais. Mas com ela, ou sem ela, vamos efectuar as reformas.".
Se alguém tiver o número do ministro faça o favor de lhe telefonar e dizer que há psiquiatras que fazem um trabalho excelente no campo do autismo.

14 de setembro de 2004

NÃO NOS TIREM O TABAQUINHO

O Correio da Manhã gritava com as letras todas: "O Tabaco paga a crise". Estavam horrorizados com a perspectiva de terem de reduzir o vício, mercê do aumento de preço do dito cujo.
Na verdade, o terror vai chegar no dia em que tiverem de deitar no lixo as beatas que enfiam aos milhões na areia ou deitam para o chão na esperança que cresça. Mas, não se preocupem, a atender à impunidade com que toda a gente acende cigarros no Metro, debaixo das placas de Proibido Fumar, não será para breve.
O FIM DA VERGONHA (falta saber o começo de quê...)

Um dos piores momentos da minha vida passei-o entre as paredes do quartel de Setúbal. Depois de anos de faculdade, a endividar-me para estudar os autores clássicos e contemporâneos, vi-me na contigência de perder quase 2 anos da minha vida ao serviço de coisa nenhuma. Não se estava em guerra, havia gente suficiente para manter o número de generais no activo, mas mesmo assim, lá me chatearam. Fui à Inspecção, como os outros. Dei o meu pior nos testes físicos, como a maioria... e o meu melhor nos psicotécnicos, já que se a desgraça se confirmasse ao menos que vegetasse em furriel (um lindo nome, só comparável ao biológico "roaz corvineiro"!).
Lá fui parar à Reserva, mas ninguém me tira a sensação de impotência que me invadiu nesse dia, preso nas malhas do mais pacóvio do nosso país. Sabia que se quisesse sair naquele momento dali, haveriam de se cruzar armas à minha frente. E a perda de liberdade, meus amigos, é a pior das sensações.
Acaba no domingo o Quartel da Vergonha. Já não era sem tempo.
ps: que não se preocupem os mais sensíveis que existirão sempre tipos e tipas com gosto por se espojar na lama e esfregar no chão, antes de irem servir de choferes aos majores valentões.

army.jpg
teatro
Na Malaposta, até dia 26, está a peça de Virgílio de Almeida "Fui às compras". Encenação de Carlota Gonçalves e Carlos Gomes (de quem vimos entre outras, as peças "Amok",e "Clube de Gelo"sob a sigla An-Carl-Go). Com Pedro Oliveira e Dora Bernardo na representação.
Uma mulher interroga-se sobre a sua relação com os homens e o mundo em geral, através do telefone.

12 de setembro de 2004

o tempo histórico

Hoje uma pessoa muito próxima disse-me que achava que eu vivia noutro tempo.
E a coisa pareceu-me bastante evidente.
Falta saber se elogiosa (riso)...

color_out_2.JPG

ps: o problema nestes casos é esperarmos sempre mais do que poderá acontecer neste tempo.

contadores

Hoje lembrei-me do antigo contador deste blogue. Desaparecido pouco depois das 50000 visitas. Na verdade, desde que se sumiu esta coisa de saber se o que escrevi foi lido por 100 ou por 1000 pessoas num dia que tudo se tornou mais fluido. E simples.
Na verdade, temos em nós um raio de um mecanismo de agradar que só quando desligamos as máquinas que o alimentam é que nos damos conta do essencial.
Welcome, quantos vierem por bem. ;)

10 de setembro de 2004

TERMINAL DE AEROPORTO

Durante muitos anos tive o Spielberg por realizador favorito. Achei que o ET era uma obra-prima, a COR PÚRPURA um filme muito conseguido e por aí fora.
"Terminal" não contraria nada do que ele fez até agora. Tem as pontas todas certinhas e, de vez em quando, pisca um olho a formas mais ousadas de colocar a câmara ou de fotografar a cena. Merece, por certo, os 5 euros que (em Lisboa) desembolsei para o ver.
Não sei, contudo, se mereceria que os nossos críticos copiassem o entusiasmo da Variety.
Ainda assim, é de ver. Com calma.


A VIDA DURA DE ESCRITOR

Até há poucos meses achava que o mais difícil ao escrever um romance consistia em dominar dezenas de personagens moventes numa estrutura traiçoeira, enquanto se pensa por que cargas de água os novos ministros solicitavam 50 carros de luxo novinhos em folha e ao mesmo tempo achavam um desperdício apoiar a criação artística.
Estava enganado.
O mais difícil é teclar depressa com um gato novo no colo. Uma casa inteirinha para se estender e o estúpido! (desabafo breve, intervalado por um agitar de uma orelha felina com cócegas) acha que viver em cima das minha pernas é a felicidade suprema.
Help!
gato.jpg

8 de setembro de 2004

SÂNTANO- A SAGA (episódio 2)

Pá, ainda bem que afinal está tudo bem! Estamos a sair da crise, sempre que há Euro cá em casa; a PT, os seus investidores... e os respectivos administradores duplicaram os lucros anuais; as instâncias culturais estão controladas por Tias (simpáticas e com boa vontade, algumas...) que regressam a casa de Jaguar, depois de um dia divertido e que os sindicatos independentes vêm afirmar que "Já que se está a crescer, então que venham de lá esses aumentos".
Perante esta notícia, vou-me esquecer do número de desempregados aterrador, dos filhos que foram obrigados a voltar a viver com os pais porque não conseguiram pagar a renda, os velhos que se alimentam a sopas de leite porque a reforma não lhes dá para mais do que medicamentos e os sem-abrigo que se vão multiplicando em caixas de cartão.
O meu país vai de vento em popa, dizem os políticos e os empresários, satisfeitos.
Há-de ser verdade, por certo...

7 de setembro de 2004

AINDA A SAGA BARQUEIRA

O nosso ministro para a Defesa Das Mulheres Reprimidas lá veio todo contentinho dizer que o tribunal lhe deu razão. Como se isso significasse fosse o que fosse neste país. Basta que o recurso interposto entretanto seja aceite e a coisa volta para o lado oposto, enfim. Já antes tinha ouvido outro homem, do CDS (e já vão dois com pila a meter o bedelho nas coisas das mulheres, mas isto cada um é para o que pende...), a congratular-se com a respectiva decisão. Aparentemente tudo estaria resolvido a contento.
Um terceiro homem, Francisco Coelho da Rocha terá declarado à TSF que uma das holandesas aquáticas teria proferido "declarações que, para além de ofenderem deliberadamente a justiça e as leis portuguesas, bem como o juiz e o tribunal que proferiu a sentença, apelou à prática do aborto por mulheres portuguesas». Na cabeça desta criaturazinha, o mulherio vai passar a noite a tomar coisas para abortar. Tipo "Amigas, o k é k vamos fazer esta noite", "Eu keria ir kurtir pra discoteca...", "Oh, pah, essa cena n dá gozo. Bora aí fazer um aborto", "Pah, ó coisinha... mas se eu nem tou grávida...", "Fogo, minha, tu para cortares a cena... ouve lá...!".
coelho2.JPG

urss 2

bolshoi2.JPG

URSS

urss3.JPG

6 de setembro de 2004

SOUVENIR

Leio no fim de um livro a expressão "aturada pesquisa".
Lembrei-me logo dos meus tempos de faculdade.

5 de setembro de 2004

O REGRESSO (VOZVRASHCHENIYE)

Ao ver esta maravilhosa primeira obra percebi o que me afasta de tantas e tantas propostas de filmes nacionais e não só. Andrei Zvyagintsev tem alguma coisa para contar. Não está a fazer um filme porque "lhe apetecia desesperadamente fazer cinema", nem porque se acha um génio colocado por Deus na Terra para nos iluminar. Fez um filme (o processo de escrita do guião foi moroso e antecipadamente premiado) porque tinha algo para dizer. A nossa vida de espectadores, leitores e ouvintes seria tão mais fácil se toda a gente fizesse como ele...
A não perder, para os que viverem em Lisboa, ou em países onde o filme seja exibido.
DURA LEX SED ERRADEX

Surpreende-me sempre ver a forma como gente muito séria diz, ainda com ar mais sério, que a lei é para se cumprir. Não para se questionar. Qualquer lei. Mesmo que pareça irreal e insensata. Não há juiz nenhum que não afirme "limitei-me a aplicar uma pena de acordo com a lei". E limpam as mãos às pernas, de seguida.
Ora, basta olhar a História, ou até, não ter faltado muito às aulas do 5º ano, para perceber que as leis mudam. O entendimento dos homens muda. O que hoje é um "gravíssimo atentado às instituições" amanhã será uma coisa natural.
Há cerca de 100 anos as pessoas seriam presas por adultério. Hoje, é chato.
Há 10 (não sei se já mudou) um mancebo seria declarado livre da tropa se declarasse "padecer de homossexualidade". Hoje chega a ministro da Defesa.
Ontem, uma mulher viúva, sem filhos, perderia a maior parte do seu património a favor da família do falecido, hoje, ainda o homem não arrefeceu e já ela pode estourar tudo em festas de esquecimento.
Ontem, o que estava errado está, hoje, certo.
Em muitos casos, o horrível criminoso do passado é um cidadão respeitado do presente.
Então, não seria melhor pararmos de mandar para a fogueira todos os que nos parecem vagamente ameaçadores? Tentar perceber as causas dos seus actos e em que medida CONCRETAMENTE isso afecta a comunidade?
Digo eu, que estou farto de ver mudar os livros de História...
bruno3.gif

4 de setembro de 2004

O SÂNTANO

Hoje entrei numa loja de roupas práticas e baratas e descobri que a nova colecção era constituída por pólos betosos, camisinhas de riscas e só não tinham sapatinhos de vela, sabe lá Deus por quê. Depois entrei noutra e... a mesma coisa: camisinhas de ir ao râguebi (por Toutatis! como se uma pessoa não tivesse mais nada que fazerr...!), o pavoroso riscado e, não verifiquei, mas desconfio da presença da calcinha de prega... Todas as tendências inovadoras que estas marcas de pronto-a-vestir tinham apresentado nos últimos anos se tinham sumido. Vanished. No ar. Como um passe de Houdini.
A ditadura Gant aí estava, disfarçada de Quebra-Mares e afins.
Quem viveu nos anos 80 (e já tinha consciência) terá lembrança do que foi o alastrar da mancha laranja. Primeiro foram as meninas ajaezadas a argoletas nas orelhas. Depois os meninos, subitamente alourados, com o sapatinho de vela a desatar. Reinava Cavaco nas Finanças, o automóvel em todo o lado e Santana era secretário de estado da cULTURA.
Hoje, vivem-se tempos piores. A moda alaranjada tinha como objectivo demosntrar que a juventude queria ganhar dinheiro, ser empresário, comprar belos apartamentos e carros.
Agora, nestes santanais tempos, ela reflecte apenas as cabeças ainda mais alouradas, os cabelos ainda mais compridos que nem sequer isso desejam. Apenas estourar o dinheiro que não têm, explorar pais até ao tutano, ficar a dever a quem for preciso e divertir-se, divertir-se, divertir-se...
Concordo com os laranjas que classificam o fim do mandato guterrista como um pântano, no sentido de local estagnado de onde tudo pode surgir. A prova aí está. Estas camisas penduradas nas lojas são a prova de que cogumelos do mais inútil e venenoso nos cresceram ao pé...
Vivemos no Sântano.


2 de setembro de 2004

LOL

Até já estou com pena dos "almofadinhas" do PP e dos parecia-que-ia-ser-canja do PSD com esta história do Barco do Aborto (a designação é linda, de facto....). Quando julgavam que iam abafar um pequeno incidente, com um "a bola é nossa e não brincam, prontoz!!", a coisa rebenta-lhes nas mãos. Não contaram, do meu ponto de vista, com 2 factores: 1) estamos na silly season, 2) a classe jornalística é composta maioritariamente por mulheres que vão pouco à missa.
Agora até vão ter que "estar disponíveis para discutir a lei".
Azarinho.

INDIE

Já aqui referi, mas repito: a partir de 24 de Setembro (uma semana) vamos ter (em Lisboa, helàs e claro...) a primeira edição do Festival Internacional de Cinema Independente - INDIELISBOA.
A seleccção é excelente (trust me) e a competição pelo Grande Prémio vai ser renhida.
Sou suspeito, mas sugiro que não percam as curtas-metragens (quer a Competição Oficial, quer o Observatório).
Entre as longas, muitas ante-estreias e visionamentos únicos do melhor que se produziu no mundo em 2003 e 2004.
Voltarei ao tema.
Tudo em www.indielisboa.com

indie.JPG
TRAFFIC

Quanto é que custaria colocar cartazes junto às estradas portuguesas com a seguinte frase:
"Você vai morrer em breve. No máximo, dentro de alguns anos. Não vale a pena apressar a coisa"?
NÓS

De vez em quando, se estou muito cansado, dou por mim em exercício de autocomiseração. Hoje, depois de sobreviver à estrada, deslizei para essa deplorável prática. Foi preciso tocar o telefone para eu me lembrar da velha frase sobre o Homem "ser a medida de todas as coisas". Ou pelo menos, de si próprio.
A partir daí, tudo ficou mais controlável ;)

30 de agosto de 2004

AVIÕES

Parece que a companhia de aviação YES (julgo que faz parte do grupo nacionalizado TAP) deixou, de novo, 200 passageiros em terra. Problemas mecânicos.
Com tantas avarias talvez fosse melhor mudarem o nome para "Maybe".
Ou, se estiver mesmo ligada à companhia nacional: IF YOU'RE LUCKY.

View image